SKA + Projeto Semear: manufatura aditiva promove inclusão e transforma vida de jovem talento
A tecnologia tem o poder de transformar processos, otimizar resultados e impulsionar negócios. Mas, em alguns projetos, ela vai além do ambiente industrial: torna-se um instrumento de inclusão, empatia e transformação de vidas.
Foi com esse olhar que a SKA se envolveu em uma iniciativa que uniu a tríade pessoas, processos e tecnologias para mudar a rotina – e o futuro – de uma jovem musicista.
Presente no portfólio da SKA desde 2010, quando a empresa adquiriu a Graphstation e deu os primeiros passos no universo da impressão 3D industrial, a manufatura aditiva deixou, neste projeto, o chão de fábrica e passou a escrever uma nova história na vida de Ketlen Martins, de 14 anos.
Aluna do Projeto Semear, localizado em São Leopoldo (RS), Ketlen é a prova de que a tecnologia, quando colocada a serviço da sociedade, é capaz de ultrapassar barreiras, gerar oportunidades, fortalecer a confiança de jovens e abrir novos horizontes – neste caso, por meio da música.
Mais do que um case de sucesso, esta é uma história sobre como a manufatura aditiva pode devolver autonomia, emoção e possibilidade de expressão.
Quando a tecnologia deixa o chão de fábrica e muda vidas
Sempre sorridente e apaixonada por música desde muito pequena, Ketlen construiu um repertório diverso, que vai da MPB aos hits mais atuais. No entanto, limitações motoras tornavam as aulas de violão desafiadoras, frustrantes e, em muitos momentos, desmotivadoras.
O desafio estava posto. E a SKA decidiu encará-lo. Mas como permitir que Ketlen se expressasse por meio da música, sem barreiras?
Um encontro improvável que deu início à transformação
Em janeiro de 2024, Matheus Reis, Gerente de Manufatura Aditiva na SKA, aceitou o convite de um amigo próximo para atuar como voluntário no Projeto Semear, ministrando aulas de espanhol. Foi nesse contexto que ele conheceu Ketlen e percebeu, de perto, tanto o talento da jovem quanto as dificuldades enfrentadas para tocar violão.
“Um dia, o Ednelson, coordenador do projeto, me procurou e disse: ‘Olha, temos um problema aqui que eu acho que você vai conseguir nos ajudar. A Ketlen adora as aulas de violão, mas existe uma limitação, e acreditamos que você pode nos auxiliar’”, relembra Reis.
Após refletir sobre o desafio, Matheus levou a demanda ao time de impressão 3D industrial da SKA, com um objetivo claro: devolver à Ketlen a alegria de aprender e se expressar por meio da música.
Manufatura aditiva como ferramenta de inclusão
Prontamente, a equipe colocou seu conhecimento técnico a serviço de um propósito maior. A partir da manufatura aditiva industrial, iniciou-se o desenvolvimento de uma prótese personalizada – simples em conceito, mas extremamente eficaz em resultado.
“Aqui na SKA, estamos acostumados a resolver problemas que geram retorno financeiro. Mas o projeto da Ketlen foi diferente. Ele nos trouxe uma sensação de propósito e de dever cumprido muito maior”, destaca Micael Mota, coordenador de Manufatura Aditiva da SKA.
Tecnicamente, o projeto teve início com protótipos mais simples, permitindo validações rápidas e ajustes contínuos. Como em qualquer processo de manufatura aditiva, os testes fazem parte da jornada – e, neste caso, foram essenciais.
A liberdade de design possibilitou adaptar geometria, espessura e encaixe com precisão, algo inviável em processos tradicionais. A cada nova versão, critérios como ergonomia, distribuição de força, conforto no uso prolongado e impacto na resposta sonora do instrumento eram analisados.
“Iniciamos a prototipagem com uma tecnologia mais simples e de menor custo. Em poucas horas, já tínhamos a primeira peça pronta para testes. Logo percebemos que pequenos ajustes na espessura e no posicionamento faziam toda a diferença no desempenho. A solução precisava ser funcional, mas também confortável para o uso diário”, explica Mota.
Do protótipo à solução ideal
Além da expertise técnica, um fator humano foi decisivo para o sucesso do projeto. Com vivência musical desde cedo, o pré-vendas de Manufatura Aditiva da SKA, Carlos Henrique Schmidt, teve papel fundamental no desenvolvimento da solução.
“Por ter experiência tocando violão, consegui contribuir bastante, especialmente para entender como posicionar a prótese da melhor forma possível, garantindo aproveitamento e conforto para ela”, relata.
Essa combinação de conhecimento técnico e sensibilidade musical garantiu que a solução respeitasse não apenas requisitos de engenharia, mas também a experiência de Ketlen ao tocar.
A música como linguagem de liberdade e identidade
Na adolescência, liberdade e expressão são fundamentais. Ketlen encontrou na música uma forma de comunicar sua verdade desde que entrou no Projeto Semear.
“Eu estava na escola quando me perguntaram se gostaria de participar do projeto. Aceitei na hora, porque eu não estava indo bem e achei que o Semear poderia me ajudar muito”, conta.
O caminho até o protótipo ideal exigiu persistência. Ketlen nunca escondeu as dificuldades iniciais.
“No começo, eu precisava fazer muita força para conseguir tirar o som. Mas agora, com essa última prótese, não preciso mais”, afirma.
O resultado foi marcante.
“Quando consegui pela primeira vez, fiquei muito emocionada”, resume a jovem.
A força de vontade e obstinação por seguir em busca dos sonhos vem de berço. Dienifer Martins, mãe presente e incentivadora, acompanhou toda a trajetória da filha de perto.
“Lembro do início, das dificuldades e de como ela ficava chateada por não conseguir tocar da forma que queria. Hoje, com essa prótese desenvolvida pela SKA, me sinto muito feliz, porque a alegria dela é a minha alegria”, destaca.

Um projeto que gera impacto coletivo
Fundadores e coordenadores do Projeto Semear, Luciana de Lima e Ednelson Borges acompanham Ketlen desde sua chegada. Criado em 2007, o projeto atua com foco em educação, tecnologia e inserção no mercado de trabalho para jovens da comunidade, sem fins lucrativos.
O projeto em si visa romper o ciclo de pobreza através de reforço acadêmico, atividades extracurriculares, com aulas de violão, informática, inglês/espanhol.
“O Semear trabalha justamente com essa conexão com o mercado e com tecnologia. Então, a parceria com a SKA fez todo sentido”, afirma Borges.
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Sempre preocupada e em busca de uma melhoria contínua para a garotada em todos os projetos da Casa, Luciana já participou de muitas mudanças do Semear e não podia ficar de fora da trajetória de Ketlen.
“Quando vimos a situação da Ketlen, pensamos imediatamente que precisávamos fazer algo. Dar oportunidades a quem enfrenta mais dificuldades é extremamente gratificante”, destaca.
Mais do que otimizar processos industriais, a manufatura aditiva mostra, neste case, que tecnologia de ponta pode – e deve – estar a serviço das pessoas.
“É um orgulho trazer essa perspectiva para as crianças, de que o mundo pode oferecer oportunidades que, muitas vezes, parecem distantes. Sem dúvida, vale muito a pena”, finaliza Matheus Reis.
Com mais de 35 anos de atuação, a SKA reforça, por meio dessa história, que a inovação vai além da indústria: ela impacta pessoas, constrói futuros e transforma realidades.
*Texto escrito por Eduardo Bento, Jornalista na SKA.



