A maneira como fazemos as coisas está prestes a mudar

“Tooling” – o processo de fabricação do ferramental necessário para a produção de peças – foi uma tecnologia essencial nos primórdios da revolução industrial. Ele permitiu que a manufatura fosse feita por máquinas e deu força para o surgimento de invenções complexas, como o motor à vapor.

A produção em massa comandada pelas máquinas, fez com que a matéria-prima fosse enviada de países em desenvolvimento para os industrializados, retornando por sua vez produtos manufaturados acessíveis para os mercados consumidores. Este foi o início da era moderna do comércio global e das tarifas.

Hoje, extraímos matérias-primas e enviamos elas ao redor do mundo para fábricas que fazem peças. Essas peças são enviadas para outras fábricas que as montam em componentes de produtos, os quais são enviados em todo o mundo para mais fábricas que fabricam produtos finais cada vez mais complexos. Esse processo é o legado da primeira revolução industrial.

Dezenas de trilhões de dólares em capital estão viajando a qualquer momento em navios e aviões, durante semanas nos oceanos. Quase todos os produtos têm uma parte ou componente que se deslocou lentamente através de containers e instalações aduaneiras onde burocratas cobraram tarifas e impostos.

Este processo antiquado está começando lentamente a mudar. Estamos no início de uma nova curva em S, que progredirá para sempre e mudará a maneira como fazemos e comercializamos nossos bens de consumo, permitindo uma nova era de produtividade. Uma nova classe de impressoras 3D industriais de alta velocidade de empresas como da Desktop Metal, estão permitindo essa mudança e se tornando rapidamente parte integrante da 4ª Revolução Industrial.

Estas máquinas revolucionárias são capazes de imprimir peças complexas a um custo menor do que as técnicas tradicionais de fundição de metais e podem chegar no ponto de equilíbrio com 100.000 peças. Os custos para volumes de baixa até média produção são quase os mesmos comparados à moldagem por injeção.

À medida que esta tecnologia amadurece, o ponto de equilíbrio se amplia, permitindo uma era de produção sem fronteiras. Neste novo modelo, apenas as matérias-primas são enviadas e as fábricas ao redor do mundo imprimem peças de forma digital conforme a demanda para montagem final dos produtos que fabricam. Não há ferramentas e nenhum desperdício de matéria-prima. Agora, as peças já não estão mais presas em navios e aviões. Ao invés disso, viajam como arquivos digitais para os locais onde precisam ser impressas para a montagem final do produto.

Uma nova curva em S na fabricação

Esta revolução é muito semelhante ao que aconteceu com a fotografia digital e a impressão industrial, onde as impressoras offset foram interrompidas na última década por impressoras digitais. Uma vez que uma parte fabricada digitalmente alcança paridade de custo com processos convencionais, existem outras forças econômicas que promovem a sua adoção. Não há necessidade de estoque (peças sob demanda), ferramentas ou transporte.

Com essas novas técnicas de fabricação digital, poderemos democratizar a produção. A impressão 3D permite produzir desenhos geometricamente complexos de forma gratuita e livre.

Pequenas e médias empresas (conhecidas também pelo acrónimo PME) serão capazes de produzir bens em todo o mundo com uma complexidade igual ou maior do que suas concorrentes globais.

Uma pequena empresa em Gana ou Buenos Aires poderá imprimir peças com a mesma qualidade que uma grande empresa em Connecticut. Ao eliminar ferramentas e permitir que uma peça custe o mesmo que 100.000 peças, os projetos podem mudar mais rapidamente. Os melhores projetos serão enviados ao redor do mundo digitalizados e impressos sob demanda, contornando a tarifa global e os sistemas de impostos que taxaram a produção desde a última revolução industrial.

O mundo fabrica 12 trilhões de dólares de mercadorias por ano. Isso quer dizer que ainda vai demorar muitas décadas para modernizar a capacidade de fabricação do mundo, para tirar o máximo proveito dessa tecnologia. Uma coisa é certa, no final deste século, quando olharmos para trás e avaliarmos como 4ª Revolução Industrial mudou as coisas, veremos uma produção em massa e sem fronteiras, através de impressoras 3D como uma das tecnologias cruciais que impulsionaram a produtividade, o crescimento econômico e a prosperidade.

Webinar: A nova forma de produzir com a impressão 3D em metal

Artigo escrito por Ric Fulop, Diretor-Presidente e Co-Fundador da Desktop Metal Inc. Traduzido e adaptado por Gabriel Diehl Fleig, Gerente de Marketing da SKA